sábado, 10 de setembro de 2016

DE 2008 A 2016. (Parte 3)

Se você ainda não leu a parte 1 clique AQUI.
Se você ainda não leu a parte 2 clique AQUI.

2012 a 2016
Pela internet acabei entrando em contato com o Fernando, dono  o Vivre, um Thaiti 16 pés, marcamos para dar uma volta no veleiro.
Pela primeira vez eu estava colocando os pés em um veleiro, achei maravilhoso, fechamos negócio e agora eu tinha um veleiro, mas não tinha arrais por isso antes de colocar o barco na água eu tive que tirar minha habilitação, enquanto isso o veleiro ficava lá guardadinho em Ubatuba.
Assim que tirei minha arrais fui velejar e protagonizei um dos dias mais divertidos da minha vida, foi quando pela primeira vez eu encalhei o Vivre, isso mesmo logo de cara já encalhei o barco mas essa história você pode ler aqui.

O blog nasceu antes que eu tivesse minha arrais, no começo eram 40 visitas mês, provavelmente minhas mesmo, conforme os posts iam aparecendo mais visitas mensais iam acontecendo até que um dia um comentário:

"Parabéns Amigo Velejador. A Boreste fez toda documentação do Gaipava e o Juca é meu Amigo e Mestre. Já velejamos juntos. Você está bem acessorado!! Visite: veleirogaipava.blogspot.com"

O Primeiro comentário do blog foi do Ricard Stark, como fiquei orgulhoso, eu acompanhava a vida do Gaipava já fazia um tempo e de repente lá estava eu telefonando para o Ricardo, a partir daí fui conhecendo outros velejadores entre eles o Juca Andrade, fui muito bem recebido no meio náutico, e comecei a perceber que havia algo diferente naquelas pessoas, sempre disponíveis e dispostos, havia um código de conduta que ninguém mencionava mas havia.

Minha primeira travessia longa foi no dia dos pais e foi de grandes 7,5 milhas náuticas,  saí do Itagua e fui até a ilha Prumirim (você pode ver aqui), minha vida já tinha mudado, a saúde melhorado e o tempo corria de forma diferente, ainda em 2012 os 16 pés do Vivre já não comportavam minha família e troquei de barco por um Cruiser 23 que é nosso até hoje.

A família se tornou uma família diferente, meio que fora da casinha, certa vez a professora do Gabriel que estava no prézinho (hoje infantil I) me chamou de lado em uma reunião e perguntou se nós tínhamos um barco a vela, eu respondi que sim, ela desconfiou pois os meninos da sala desenhavam casas, carros, motos e o Gabriel desenha veleiros, botes, poitas, remos, bóias e o tradicional desenho da família, aquele que tem o papai a mamãe e os filhos com uma casa ao fundo e um sol redondinho,  o do Gabriel era sempre em cima de um veleiro.

De 2012 pra cá passei por muita coisa no mar, aprendi muito, fiz muitos amigos, minha vida tomou outro rumo, já não tenho mais aquela empresa lá do começo desta história, ainda trabalho com informática mas de uma forma mais autônoma, minhas atividades são todas em torno da vela e bem perto do mar, mesmo quando estou trabalhando com programação o que me motiva é o mar, a minha família aprendeu um estilo de vida diferente, mais saudável e menos tensa.

Depois de relembrar toda essa parte da minha vida, mexer nas fotos, reler posts, falar com amigos, eu posso responder a pergunta que deu origem a essa história:

Vale a pena ter um veleiro?
Sim  vale, estar perto do mar é vital pra mim e pra minha família.























terça-feira, 30 de agosto de 2016

DE 2008 A 2016. (Parte 2)

Se você ainda não leu a parte 1 clique AQUI.

2010 e 2011

2010 foi uma ano de muito trabalho e apesar de trabalhar com afinco eu não conseguia parar de pensar em comprar um veleiro, meu tempo livre era preenchido com vídeos  sobre veleiros no youtube e blogs sobre veleiros, lia tudo, assistia tudo as páginas que eu mais visitava eram:

O Blog do Gaipava
O Blog do Cusco Baldoso
O Blog do Aquarela
O Blog do Maracatu

Ainda hoje guardo todos esses blogs com muito carinho e as vezes ainda dou uma olhadinha em alguns posts da época.
Como era fantástico ler aqueles textos, eu me imaginava naquelas situações, comecei a aprender algumas palavras da linguagem marinheira, mas quando eu falava para as outras pessoas que eu gostaria de ter um veleiro a resposta era imediata "VOCÊ É LOUCO" ou "ISSO NÃO PRA NÓS, É COISA DE MILIONÁRIO).

Um belo dia navegando pelo youtube descobri um vídeo que se tornou meu vídeo de cabeceira


Assistia esse vídeo no mínimo 2 vezes ao dia, sempre quando chegava no escritório e outra vez antes de ir embora, foi assim por meses.

A convivência com os sócios, na verdade um deles, já não era mais tão tranquila e o clima na empresa começou a ficar tenso, pesado, insuportável, e no final do ano não deu outra comprei a parte dos sócios na empresa e a assumi completamente.

No dia 07 de Dezembro de 2010 nasceu o Gabriel.
 Assim terminou 2010.

Janeiro de 2011, como era difícil administrar uma empresa sozinho, o trabalho novamente era a única coisa que eu fazia, novamente estava trabalhando das 07:00 as 22:00 de segunda a segunda até que um belo dia o inevitável aconteceu, tive uma crise nervosa gravíssima, não entendia o motivo, estava tudo certo, tinha comprado uma chácara a empresa já tinha dois carros e oito funcionários, mas isso não foi suficiente para evitar a crise nervosa, lembro como se fosse ontem:

O telefone não parou de tocar o dia inteiro, a cada trim trim meu coração acelerava, fui me irritando, minha pressão subiu um pouco e o telefone lá trim trim trim, aquele barulho parecia ensurdecedor, entrava na minha cabeça através do meu ouvido como uma agulha de trico, fui conferir a lista dos pagamentos dos clientes pelo software do banco e não abria nada, caiu a internet e o telefone la trimmmm trimmmmm trimmmmmmm no final da tarde antes dos funcionários irem embora me tranquei na minha sala e chorei, chorei de desespero, de raiva, de arrependimento, chorei de dor de autopiedade, chorei de pânico, chorei por quase uma hora sem motivo nenhum.

Uma semana depois da choradeira lá estava eu sentado de frente ao médico, o diagnóstico foi simples, stress, tinha que desacelerar, tinha que mudar de vida ou poderia morrer "dos nervo".

Entre meus clientes sempre tive amigos, o Herbert, que já frequentou os posts do nosso blog (veja aqui e aqui) é um deles,e um outro amigo muito especial é o Fábio, dono de uma maravilhosa padaria aqui em Caçapava, foi para o Fábio que contei sobre meu episódio de stress ele prontamente me receitou velejar, o estranho que eu nunca tinha falado para ele que já estava sonhando com um veleiro fazia tempo e apesar de sempre ler e assistir tudo sobre veleiros nunca tinha procurado um para comprar, o Fábio me falou que o preço poderia ser menor do que eu imaginava e abriu o site do mercado livre, era só escolher um que coubesse no bolso e começar a viver, não por acaso encontrei um Tahiti 16 pés chamado Vivre que me chamou a atenção, o nome do barco parecia um recado pra mim, foi ai que começou outra fase da minha vida.

A Foto do Vivre no anúncio do mercado livre



Continua...

Parte 3

domingo, 28 de agosto de 2016

DE 2008 A 2016. (Parte 1)

O Vivre vai ter que subir para uma nova reforma, como todos sabem que isso fica caro, quem sabe até um pouco além das minhas possibilidades hoje, então fiz uma retrospectiva para ver se compensa ter um veleiro, a resposta foi um grande SIM, COMPENSA, sem sombra de dúvidas compensa, meus veleiros me salvaram de uma vida enfadonha e sem graça, me resgataram de uma vida de zumbi corporativo, veja como:

2008 e 2009- O CHAMADO:
Um "bocadinho" de grana investida em papéis da Petrobrás e da Vale, tinha até uma quantia legal de dinheiro lá, o pé de meia que juntei durante algum tempo, minha vida profissional estava bem definida, tinha acabado de ser convidado para fazer parte do quadro de sócios de uma grande empresa de automação comercial líder de mercado aqui no Vale do Paraíba, trabalhava de segunda a segunda das 07:00hs até as 22:00hs, todo dia mesmo, nessas alturas eu já era um zumbi corporativo e estava realmente satisfeito com essa vida.

Do meio do ano pra frente os telejornais começaram a falar sobre uma crise da bolsa de valores e eu na minha ignorância achei que minhas ações seriam imunes a tormenta que se anunciava, ahh se eu já fosse velejador naquela época, com certeza teria procurado um local abrigado para a minha grana antes da tempestade chegar, mas não era e vi meu patrimônio evaporar junto com a bolsa, perdi muito dinheiro mesmo, no fim do ano já estava vendendo carro e casa pra cumprir meus compromissos, foi uma época triste, contudo, foi o meu despertar, passei a me perguntar o que eu estava fazendo da minha vida, meus filhos cresciam e o maior tempo que eu passava com eles era um domingo por mês, e nesses domingos geralmente estávamos em competições de judo, competitivo como todo zumbi corporativo eu achava que estava forjando neles um caráter forte e rígido através das competições de judo, não entendia que o judo na idade deles era bom mas as competições para crianças daquela idade eram cansativas e até causavam frustrações, meus filhos achavam que eu esperava que eles só ganhassem e eu não fui pai o suficiente para deixar claro que isso não era verdade, e assim eles abandonaram o esporte e ficaram aliviados com isso. Estávamos sem carro e de mudança para uma nova casa que agora era alugada, e assim entrou 2009.

Eu tinha mudado, sempre fui um cara estressado, nervoso, queria que meus filhos fossem os melhores em tudo que participassem, queria que as pessoas olhassem o comportamento deles e comentassem sobre a educação impecável que eu dava a eles, tinha meus motivos pra isso, minha primeira mudança foi perceber que eu queria que eles fossem eu, então relaxei, não na educação deles, mas na preocupação de querer mostrar que eles eram bons, a segunda mudança foi querer enfrentar meus medos, por isso, apesar da situação, comprei duas passagens para um cruzeiro pela costa brasileira, só eu e a Lena, pois é eu morria de medo de navios fobia mesmo, dividi as passagens em 12 vezes, peguei o resto dos dólares que eu tinha em casa e zarpei em fevereiro de 2009. O cruzeiro passava por Santos, Búzios e Ilha Grande, e foi lá na Ilha Grande que tive a visão que mudaria minha vida, um veleiro de madeira apoitado numa baía calma e tranquila, pensei que se eu tivesse dinheiro gostaria de ter um brinquedo daquele, pensei na vida que o dono daquele barco levava a bordo daquela maravilha, pensei nas horas que ele passava com os filhos dentro do veleiro, depois disso raras foram as noites que eu dormia sem pensar em ter um veleiro.

Minha neguinha em seu momento Titanic

O Veleiro que mudou a minha vida.

Assim que desembarcamos em Santos eu falei pra Lena:
- Vou comprar um veleiro pra nós.
- Ué, Não é você que morre de medo do mar? - Disse ela.
- Não mais, acho que nasci pra viver no mar.

Ainda em 2009, no final do ano fomos pra Porto Seguro, os momentos que eu mais gostava eram os passeios de escuna, agora eu me sentia bem em cima de um barco. Ahh também gostei de interagir com um bicho preguiça, rolou uma identificação com a aquele bicho tranquilão mas com garras que assustavam. Certa vez, no começo da minha carreira, em uma entrevista de emprego me perguntaram que animal eu gostaria de ser, respondi que gostaria de ser um tigre, ágil, feroz, agressivo, grande e imponente, hoje responderia que gostaria de ser uma preguiça.

Eu e o Willyan em uma escuna lá em Porto Seguro


Eu e a preguiça.
Assim terminou 2009.

Ultimamente tenho escrito posts longos que necessitam ser publicados em mais de uma parte para não se tornarem cansativos, esse não foge a regra!

Continua...

As outras partes do post:
Segunda parte
Terceira parte