sábado, 24 de setembro de 2016

MARINIZANDO A COMPANHEIRA.



Já vi muitos candidatos a velejador deixando seus sonhos de velejar o mundo por conta de um entrave mais comum do que se imagina, a esposa, leia-se esposa como namorada, amiga, dona da pensão, pretendente, enfim, aquela mulher que manda no marinheiro.

Vou contar agora como eu fiz pra marinizar o meu cérebro, digo, minha esposa.

Quando comprei meu 1º veleiro, um tahiti 16 pés, a compra foi pensada, ponderada e dividida com a patroa, ela permitiu que eu desviasse a verba das férias, dos passeios, do carro novo para um barco à vela.

Sim, ela permitiu mas não sonhava meu sonho, passei um tempo fazendo carnês em lojas de sapato e pendurando a conta em salões de beleza pra compensar o custo do meu sonho, apesar de achar que ela não precisava de sapatos, roupas e maquiagem pra ser a mulher mais bela deste planeta, me perdoem as minhas leitoras. Não entendo muito a cabeça da minha mulher, pra que melhorar o que Deus fez de mais belo nesse mundo?

Pois bem, sabedor da fascinação dela pelas estrelas, cometas, astros e cartas celestes, que é um tipo de carta náutica do céu, bolei um plano infalível no melhor estilo Cebolinha, esperei uma noite de lua nova e a levei para dormir no barco lá na ilha Prumirim e o universo conspirou a meu favor, nunca tinha visto e ainda não vi um céu tão iluminado e pontilhado de estrelas do que aquele céu de Prumirim, e aquele céu se mostrou um tipo de vício, ela sempre o procura em nossas pernoites no Vivre mas nunca mais o achou, dei sorte.

Não posso dizer que foi nesse dia que ela se apaixonou pelo mar já que ela é mineira e não existe ninguém mais apaixonado pelo mar do que mineiro, deve ser por que mineiro não tem mar no quintal e como dizem, a grama do vizinho é sempre mais verdinha, só sei que desse dia em diante ela busca algo que talvez o Vivre nunca mais vá lhe proporcionar, aquela pintura celeste.

Ponderando sobre esse momento cheguei a conclusão de que não fui eu quem marinizou a minha esposa, foram as estrelas.

A foto do início do post não foi eu que tirei, minha máquina não tem capacidade de capturar imagens noturnas tão belas quanto essa.

Pra minha alegria fiz um vídeo desse dia que marineizei minha cara metade, por coincidência era dias dos pais.





segunda-feira, 19 de setembro de 2016

SUBINDO!

Agora que o Vivre já esta em terra, sou obrigado a fazer um mea culpa, fui relaxado, relapso e desatento, não percebi que o barco dava sinais de que necessitava de manutenção, uma pequena folga no leme com o tempo se transformou em um vazamento que por pouco não afunda o Vivre, aqui eu tenho que agradecer ao Léo, ele percebeu que o barco estava muito pesado, com a linha d'água submersa já, entrou no Vivre e constatou que devido ao volume inesgotável de água a bomba havia queimado, ele esgotou o barco sozinho a baldadas, saiu, foi até a casa dele pegou uma bateria pois a minha já tinha ido pro saco já que ficou submersa, trouxe também uma bomba de porão parrudona e um automático, instalou tudo, fez a ligação na placa solar e só depois me ligou e enviou essas fotos:




Desde então começou uma luta para arrumar lugar e carreta para subir o Vivre, optei por colocar o barco no galpão do Sr. Davi lá na Ribeira mesmo, esse processo levou aproximadamente 1 mês, 1 mês sem dormir direito, todo dia eu acordava e ligava para o Léo pra ver se o Vivre ainda estava boiando, um sufoco.

O mastro foi retirado e o barco ficou pronto para ir ao estaleiro.

















Já no galpão do Sr. Davi, fiquei satisfeitíssimo ao ver que a tinta venenosa ainda existia e aguentaria mais 1 ano fácil fácil, o casco não tem osmose, a quilha esta firme como uma rocha.

Vou começar pelo crítico que agora é o leme e essa entrada de água que me tirou o sono, depois registros, hidráulica, elétrica, acabamento do interior, estofados, vigias, adriças e escotas, aparelho de fundeio, costado, fundo subir o mastro e água, ahhh vou ter que comprar uma poita também já que a do Vivre eu vendi, dessa vez estou pensando em apoitar lá no Itaguá, tem uma comunidade velejadora lá que só cresce, então resolvi ficar mais perto dos parça :).




sábado, 10 de setembro de 2016

DE 2008 A 2016. (Parte 3)

Se você ainda não leu a parte 1 clique AQUI.
Se você ainda não leu a parte 2 clique AQUI.

2012 a 2016
Pela internet acabei entrando em contato com o Fernando, dono  o Vivre, um Thaiti 16 pés, marcamos para dar uma volta no veleiro.
Pela primeira vez eu estava colocando os pés em um veleiro, achei maravilhoso, fechamos negócio e agora eu tinha um veleiro, mas não tinha arrais por isso antes de colocar o barco na água eu tive que tirar minha habilitação, enquanto isso o veleiro ficava lá guardadinho em Ubatuba.
Assim que tirei minha arrais fui velejar e protagonizei um dos dias mais divertidos da minha vida, foi quando pela primeira vez eu encalhei o Vivre, isso mesmo logo de cara já encalhei o barco mas essa história você pode ler aqui.

O blog nasceu antes que eu tivesse minha arrais, no começo eram 40 visitas mês, provavelmente minhas mesmo, conforme os posts iam aparecendo mais visitas mensais iam acontecendo até que um dia um comentário:

"Parabéns Amigo Velejador. A Boreste fez toda documentação do Gaipava e o Juca é meu Amigo e Mestre. Já velejamos juntos. Você está bem acessorado!! Visite: veleirogaipava.blogspot.com"

O Primeiro comentário do blog foi do Ricard Stark, como fiquei orgulhoso, eu acompanhava a vida do Gaipava já fazia um tempo e de repente lá estava eu telefonando para o Ricardo, a partir daí fui conhecendo outros velejadores entre eles o Juca Andrade, fui muito bem recebido no meio náutico, e comecei a perceber que havia algo diferente naquelas pessoas, sempre disponíveis e dispostos, havia um código de conduta que ninguém mencionava mas havia.

Minha primeira travessia longa foi no dia dos pais e foi de grandes 7,5 milhas náuticas,  saí do Itagua e fui até a ilha Prumirim (você pode ver aqui), minha vida já tinha mudado, a saúde melhorado e o tempo corria de forma diferente, ainda em 2012 os 16 pés do Vivre já não comportavam minha família e troquei de barco por um Cruiser 23 que é nosso até hoje.

A família se tornou uma família diferente, meio que fora da casinha, certa vez a professora do Gabriel que estava no prézinho (hoje infantil I) me chamou de lado em uma reunião e perguntou se nós tínhamos um barco a vela, eu respondi que sim, ela desconfiou pois os meninos da sala desenhavam casas, carros, motos e o Gabriel desenha veleiros, botes, poitas, remos, bóias e o tradicional desenho da família, aquele que tem o papai a mamãe e os filhos com uma casa ao fundo e um sol redondinho,  o do Gabriel era sempre em cima de um veleiro.

De 2012 pra cá passei por muita coisa no mar, aprendi muito, fiz muitos amigos, minha vida tomou outro rumo, já não tenho mais aquela empresa lá do começo desta história, ainda trabalho com informática mas de uma forma mais autônoma, minhas atividades são todas em torno da vela e bem perto do mar, mesmo quando estou trabalhando com programação o que me motiva é o mar, a minha família aprendeu um estilo de vida diferente, mais saudável e menos tensa.

Depois de relembrar toda essa parte da minha vida, mexer nas fotos, reler posts, falar com amigos, eu posso responder a pergunta que deu origem a essa história:

Vale a pena ter um veleiro?
Sim  vale, estar perto do mar é vital pra mim e pra minha família.